sexta-feira, 13 de abril de 2012

Especialista diz que Usina Nuclear de Itacuruba vai ser mais segura que as do Japão

Itacuruba, município a 466 km da capital pernambucana, é uma das áreas mais estudadas até o momento e considerada excelente para a instalação de até seis usinas nucleares. A decisão pela cidade ainda não foi anunciada. Caso seja escolhida, a previsão é que as obras das duas primeiras usinas comecem a partir de 2014, para inauguração entre 2020 e 2021. Cada uma delas representa um investimento de R$ 10 bilhões, geração de até 4 mil empregos na construção e de 700 na operação. O acidente nuclear no Japão, no entanto, pode mudar esses planos.
“É importante saber que se trata de um problema japonês, que não tem nada a ver com as usinas do Brasil”, diz Carlos Henrique Mariz, assistente da presidência da Eletronuclear e responsável pelo escritório da estatal no Recife.
“Houve no Japão um terremoto de 9, o topo da escala Richter, seguido de tsunami. Tudo foi destruído, inclusive, algumas hidrelétricas, que pioraram a inundação que matou milhares de pessoas. Mesmo assimas usinas nucleares ficaram de pé”, afirma Ronaldo Fabrício, vice-presidente da Associação Brasileira para Desenvolvimento de Atividades Nucleares. Como consequência, quatro reatores do complexo de Fukushima foram danificados, liberando radiação.
“As usinas brasileiras são mais seguras e as que serão construídas no Nordeste serão mais seguras ainda porque irão utilizar uma tecnologia mais nova”, defende Fabrício. Itacuruba foi selecionada porque havia uma área disponível de 8 km2, quase o dobro do complexo de Angra. Isso porque, apesar de estar prevista a construção de apenas duas usinas, a área deve comportar até seis nucleares, prevendo um avanço do programa na região. O possível local de instalação está a 10 km do vilarejo mais próximo. Para cidades com menos de 25 mil habitantes, a distância mínima é 6 km. A população de Itacuruba é de 4,4 mil habitantes.
Outra razão para a escolha do município é a ausência de sismos no local. “Em Pernambuco, há áreas com pequenos sismos de no máximo 3.0. Todas foram excluídas. Da mesma forma, locais de rota de avião”, afirma Mariz. Apesar disso, a estrutura das usinas será robustas e suportará terremotos e até choques com aeronaves, a exemplo de Angra 1 e 2. “As usinas de Angra suportam um sismo de até 6.5, que era um dos maiores níveis já registrados até esse ocorrido no Japão”, completa Fabrício. Na área de Itacuruba, o mais parecido com um tsunami aconteceria se houvesse o rompimento da barragem de Sobradinho. “E isso também é considerado. A usina será construída com uma elevação de acordo com essa possível onda”, garante Mariz.

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