sábado, 14 de abril de 2012

I Colóquio da Educação Escolar Indígena apresenta resultado de pesquisas













Ao todo, foram desenvolvidos 24 trabalhos de temáticas variadas por 12 etnias do Estado



Contar a história das etnias sob o ponto de vista dos próprios índios. Esse foi o principal objetivo doI Colóquio da Educação Escolar Indígena de Pernambuco, promovido pela Secretaria de Educação (SE), através da Unidade de Educação Indígena, na quadra poliesportiva da SE, durante todo o dia desta quarta-feira (14).

O evento foi aberto por um ritual que reuniu os pajés das 12 etnias participantes. Ao longo do dia foram apresentados os trabalhos construídos durante a Formação Continuada de Professores Indígenas 2011, que teve por finalidade desenvolver o perfil do professor e pesquisador indígena e incentivar a produção de materiais pedagógicos para subsidiar o processo de ensino e aprendizagem.

Ao todo, foram desenvolvidas 24 pesquisas abordando temáticas variadas, como a evasão escolar, as possibilidades e desafios de uma educação escolar indígena emancipatória e autêntica, o reconhecimento territorial, a utilização de ervas medicinais com finalidades terapêuticas, os diferentes contextos da organização social e política, a cultura e a afirmação da identidade étnica, as influências da religião católica e evangélica na cultura tradicional indígena.

“Eles passaram o ano pesquisando e escrevendo sobre a própria história e, agora, estão apresentando. O objetivo é fazer com que a história das etnias seja contada por eles mesmos”, explicou a chefe da Unidade de Educação Escolar Indígena, Vitória Espar. Para a professora indígena Nazaré dos Santos, da Escola Estadual Carlos Estevão, situada no município de Jatobá, esta é uma forma de as etnias se apropriarem da própria cultura. “Escrevemos a nossa realidade enquanto os pesquisadores de fora escrevem a versão deles. Tivemos a oportunidade de contar a história que muitas vezes não é passada de forma correta”, disse.

O pajé da tribo Funi-ô, Giudiere Ribeiro Pereira, elogiou a iniciativa do colóquio e destacou a grande utilidade que essas pesquisas terão junto às novas gerações. “É muito importante pra gente porque é uma maneira de manter nossa história viva e passar para nossos filhos e netos. Temos a responsabilidade de manter vivo o que nossos antepassados passaram para nós”, afirmou.

Educação Indígena -Vinculada à Gerência de Políticas Educacionais de Direitos Humanos, Diversidade e Cidadania, a Unidade de Educação Escolar Indígena de Pernambuco entra em cena em meados de 2004, para em conjunto com as Etnias Indígenas articular ações e oficializações das novas gestões representadas pelos próprios povos em seus territórios. As etnias têm forma própria de gerir as suas escolas e os modelos de gestão, de acordo com o Artigo 231 da Constituição Federal. As escolas são organizadas por regiões, núcleos, áreas e a gestão é democrática sendo oficializada e regularizada.

A Unidade de Educação Escolar Indígena atua nos municípios de Águas Belas, Salgueiro, Ibimirim, Pesqueira, Buíque, Tupanantinga, Carnaubeira da Penha, Petrolândia, Jatobá, Tacaratu, Floresta, Cabrobó, Inajá e Poção. Estes municípios contemplam os 12 povos indígenas do Estado, que são: Kambiwá, Kapinawá, Pankaiwká, Tuxá, Xukuru, Pankará, Pankararu, Entre Serras, Pipipã, Fulni-ô, Truká e Atikum.

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